Carollina Lauriano: A Curadora e Seu Olhar Crítico
Carollina Lauriano mantém um foco especial em construir diálogos entre a arte e as vivências cotidianas, prestando atenção especial àqueles que, historicamente, foram deixados de lado em galerias e espaços culturais, como mulheres e grupos dissidentes. Com formação em jornalismo, Carollina transitou pelos campos da publicidade e das relações públicas no setor da moda, mas chegou a um ponto em que começou a reavaliar seu papel em uma indústria que priorizava o consumo. Ao descobrir as artes visuais em 2016, ela encontrou um espaço ideal para unir narrativa, sensibilidade e provocação social.
Desde 2017, Carollina tem atuado de maneira autônoma, destacando-se como gestora e curadora do Ateliê397, um espaço independente significativo em São Paulo. Sua experiência inclui uma passagem como curadora adjunta da 13ª Bienal do Mercosul em Porto Alegre, além de sua recente colaboração no Showcase da SP-Arte em 2023. Sua trajetória culminou na fundação da Base Art Consulting, um projeto que reflete seu compromisso com o diálogo crítico na arte contemporânea.
Em suas próprias palavras, Carollina busca discutir “formas poéticas de habitar o mundo”, abordando questões de gênero, raça e identidade, alinhando-se com uma perspectiva decolonial e ecológica. Seu trabalho é influenciado pela sua vivência como mulher negra em um cenário elitizado, e atualmente, ela também se dedica a iniciativas de arte-educação e direitos humanos, incluindo um projeto desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional de Justiça para pessoas em sistema prisional. É essa visão que também ilumina sua seleção de cinco artistas visuais brasileiras que eleva e admira, cada uma trazendo suas próprias vozes e histórias para a cena.

Samara Paiva: A Relação do Corpo com o Ambiente
Samara Paiva, natural de Maués (AM), explora em suas obras a conexão entre o corpo e o espaço pessoal que ocupa, com um enfoque particular na experiência das mulheres negras. Através de suas pinturas, ela captura momentos domésticos, apresentando uma análise profunda das vulnerabilidades e das forças dentro desses contextos. Essa sensibilidade é uma chave para entendermos não apenas as dinâmicas internas dos lares, mas também a resistência e a resiliência que levam ao cuidado cotidiano.
Jacqueline Faus: O Mistério do Fazer Artístico
Jacqueline Faus, proveniente de São Paulo (SP), se destaca como uma das escultoras mais influentes de sua geração. Ao invés de seguir uma narrativa linear em suas criações, sua pesquisa artística se concentra no ato de criar como um movimento contínuo de expressão. Suas cerâmicas não apenas exploram formas, mas refletem a evolução do gesto ao longo de suas obras, possuindo um apelo fascinado que se equilibra entre o mistério, a sensualidade e uma brutalidade intrínseca.
Flávia Ventura: O Prazer da Investigação Corporal
A artista Flávia Ventura, de Belo Horizonte (MG), utiliza a pintura como uma forma de exploração do prazer em sua essência mais ampla, não necessariamente atrelada ao erotismo. Para ela, o prazer é uma pulsão vital, especialmente quando conectada à celebração de corpos e identidades que não se enquadram nos padrões convencionais. Seu trabalho reflete um laboratório corporal que revela a multiplicidade de experiências humanas.
Lyz Parayzo: Heranças Escultóricas e Novas Narrativas
Com sede no Rio de Janeiro (RJ), Lyz Parayzo dedica sua prática artística à investigação da escultura brasileira, questionando as narrativas que costumam ficar à margem dessa história. Suas obras se tornam instrumentos tanto de ataque quanto de defesa, projetando as formas de proteção desenvolvidas por corpos trans enfrentando estruturas opressoras. Esse corpo de trabalho é um convite à reflexão e à resistência.
Gi Monteiro: Abstração e Libertação Poética
A artista Gi Monteiro, oriunda de Fortaleza (CE), opta pela abstração em suas obras como uma forma de contestar as narrativas esperadas associadas a corpos ou grupos identitários. Esta recusa em se limitar ao figurativo representa uma busca pela liberdade, tanto poética quanto política, criando novos espaços de visibilidade e imaginário para pessoas trans e racializadas.
O Que Nos Ensina a Arte Contemporânea?
A arte contemporânea se transforma constantemente, refletindo e respondendo às inquietações sociais e políticas da era atual. As artistas mencionadas por Carollina Lauriano não apenas expressam suas experiências, mas também desafiam normas e convenções, colocando em pauta a importância da representatividade na arte. Isso nos ensina que a arte pode ser uma ferramenta poderosa para a transformação social, permitindo que diversas vozes sejam ouvidas.
A Importância da Visibilidade nas Artes
A visibilidade é crucial nas artes, especialmente para grupos historicamente marginalizados. Quando artistas de variadas origens e identidades têm suas obras exibidas, eles ampliam as narrativas disponíveis, encorajando uma maior inclusão dentro do mundo da arte. Essa representação ajuda a desconstruir estigmas e preconceitos, criando um ambiente onde todos se sintam bem-vindos para apreciar e interagir com a cultura. Ao promover a diversidade, a arte se reinventa e se enriquece.
Arte e Transformação Social: O Papel das Mulheres
O papel das mulheres na arte contemporânea é vital para catalisar mudanças sociais significativas. Através de suas obras, elas abordam questões relevantes como gênero, raça, política e identidade, trazendo à luz experiências que muitas vezes são silenciadas. As artistas brasileiras trazidas à discussão por Carollina Lauriano são exemplos claros de como a arte pode atuar como uma plataforma de resistência e empoderamento, impactando a sociedade de maneira ampla.
Uma Nova Geração de Artistas Brasileiras
O panorama artístico brasileiro está sendo moldado por uma nova geração de artistas que desafiam convenções e buscam novas formas de expressar suas realidades. Mulheres como Samara Paiva, Jacqueline Faus, Flávia Ventura, Lyz Parayzo e Gi Monteiro não apenas contribuem para essa evolução, mas também inspiram futuras gerações a seguir explorando e questionando o lugar da arte na sociedade. Essa nova onda de criatividade e reflexão promete abrir ainda mais espaços para a diversidade e as ricas experiências humanas.
Concluindo, a beleza da arte contemporânea reside em sua capacidade de contar histórias diversas e reflexivas. O trabalho de Carollina Lauriano como curadora continua a iluminar esses temas, e o futuro promete trazer ainda mais inovações e provocações a partir deste florescente campo artístico.

