Imóveis que desabaram parcialmente no Capão Redondo são demolidos

escombros de um sacolão e de uma loja de roupas que desabaram parcialmente na esquina das ruas Póvoa do Varzim e Agostinho de Paiva, na região do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Outros quatro imóveis foram interditados pela Defesa Civil. Não havia ninguém no local no momento do desabamento.

Após a remoção, técnicos da Subprefeitura do Campo Limpo e da Defesa Civil poderão fazer uma vistoria detalhada da canalização do córrego que deságua no Córrego Pirajussara que passa embaixo dos imóveis e pode ter prejudicado a estrutura deles. Essa avaliação determinará se outros imóveis serão também interditados ou demolidos.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil do bairro Campo Limpo, David Monteiro, é preciso retirar os dois imóveis para ver o grau de comprometimento das construções vizinhas. “O nosso departamento de obras já veio com um engenheiro, fez uma análise que teria que ser derrubado esses dois imóveis que estão parcialmente caídos para ver como está o assoreamento de uma canalização que passa por debaixo deles”.

Na terça-feira (8), o proprietário do Sacolão Maravilha, Valdir Pinheiro, de 45 anos, e sua esposa ouviram um primeiro estalo vindo das estruturas. Nesta quarta (9), ele, acompanhado de pedreiros, fizeram um buraco em frente ao estabelecimento para verificar o que estava acontecendo. “Descemos uns cinco metros para tentar salvar, mas não teve jeito”, disse. Ele comprou o terreno irregular há quase duas décadas. “Temos funcionários registrados, firma aberta. Em julho faria 20 anos que estávamos aqui”, contou. Pinheiro ainda não calculou o prejuízo. “Já tinham me oferecido até R$ 300 mil nesse sacolão”, disse.

O ajudante Fabrício da Silva Pereira, de 18 anos, ficou impressionado com o que viu embaixo do sacolão, onde trabalhava há dois anos. “Dava para construir uma casa lá embaixo. Fiquei meio assustado, porque eu trabalhava em um lugar onde só tinha uma viga sustentando”, afirmou.



De acordo com a assessoria de imprensa da Subprefeitura do Campo Limpo, uma outra retroescavadeira de maior porte deve chegar posteriormente para concluir os trabalhos de remoção dos destroços. Cinco linhas de ônibus que passam pelas ruas foram desviadas. A Eletropaulo desligou energia elétrica da região. Um poste que ficava em frente aos imóveis foi retirado.

Entre os prédios interditados, estão outros estabelecimentos comerciais. Os moradores contaram à reportagem que algumas pessoas moram sobre ou embaixo dos comércios e precisaram ser deslocados. A Defesa Civil não informou quantas pessoas estariam desabrigadas. Porém, segundo o líder comunitário Antônio Pardinho, 15 pessoas moravam nos imóveis interditados e estão na casa de parentes.

O comerciante Raimundo Nonato da Silva é proprietário de um bar e morava embaixo do estabelecimento, vizinho a loja de roupas que desabou. Ele presenciou o desabamento dos imóveis e espera voltar para a sua casa. “Sabia que era irregular por causa dos documentos, mas não que tivesse outro problema”, declarou. Ele ainda não retirou os seus pertences e mercadorias.

A comerciante Fátima Macedo também esteve no estabelecimento interditado nesta manhã. Ela disse ainda ter esperança de voltar a trabalhar no mesmo imóvel. “Fiquei desesperada [quando soube], porque trabalho aí. Não quero nem pensar.” Ela disse desconhecer que houvesse algum problema na infraestrutura da loja. “Aqui é terra firme. O esgoto só passa ali”, afirmou ao mostrar os imóveis parcialmente destruídos.

Às 10h, a Defesa Civil da Cidade de São Paulo decretou estado de atenção para deslizamentos na região do Campo Limpo, subprefeitura da área onde ocorreu o desmoronamento.

Fonte: G1



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