O 4º Encontro de Cinema Negro vai reunir mais de 50 filmes em pré-estreia, vindos da África (Chade, Senegal, Costa do Marfim, Guiné, Cabo Verde, Congo, África do Sul, Nigéria) e de países com forte marca da cultura lá nascida, como Cuba, Haiti e Guadalupe, entre documentários e histórias de ficção.
São filmes que não chegariam ao público se não fosse pela iniciativa do Centro Afro-Carioca de Cinema de Bulbul, ativista pelos direitos dos negros desde os anos 1960. “No Brasil conhecemos os Estados Unidos e a Europa, mas não sabemos nada da África. É para isso que faço esse encontro, para o preto discutir o preto. Representamos 70% da população e não sabemos quem somos”, ele diz. “Tem muito preto fazendo cinema. Chega de Cidade de Deus, feito por branco sobre a gente.”
O Brasil também está representado. Consagrado em Gramado, Bróder, de Jefferson De, filmado no Capão Redondo, abrirá os trabalhos, hoje à noite, no cinema Odeon. Antes, será exibido O Papel e o Mar, curta de Luiz Antonio Pilar que tem Bulbul no elenco e trata de um encontro fictício entre João Cândido, líder da Revolta da Chibata, e Carolina Maria de Jesus, catadora de papéis autora de livros como Quarto de Despejo.