Comerciantes e moradores improvisam barreiras antienchente no Capão Redondo

Os moradores que vivem próximo ao córrego do morro do S, na região do Capão Redondo, zona sul de São Paulo,  recorrem ao improviso para tentar fugir das enchentes. O córrego já transbordou três vezes só neste ano. Por isso, é fácil encontrar pelas vias da região sacos cheios de terra, pedaços de metal e até tábuas de madeira sendo usados para tentar evitar que as águas sujas do córrego invadam as casas e os estabelecimentos comerciais da área.

No início deste mês, o dono do salão de beleza onde trabalha Dilma Araújo, na avenida Ellis Maas, resolveu investir em uma engenhoca que impedisse a entrada da água do córrego: uma mureta grossa de concreto, com quase um metro de altura, foi construída em volta da porta de entrada. Entre a porta e a mureta, fica um portão de ferro com duas trancas.

– Quando chove, nenhum carro consegue passar por essa avenida [Ellis Maas]. A água abaixa e o salão fica cheio de sujeira.

A adoção de portas de metal para barrar as águas da chuva é comum entre os imóveis. A casa da estudante Luciana dos Santos Costa, que voltou dos EUA para o Brasil após a morte do pai durante a enchente de 9 de janeiro, foi construída com as comportas. Na mesma rua (João de Pernambuco), o estudante universitário Marcos Ferreira comprou uma casa, há pouco menos de um ano, também com as portas antienchente. Mas em ambos os casos a estrutura não foi suficiente para barrar a força das águas.



– A água invadiu todos os cômodos. Minha mulher está grávida e temos muito medo das doenças que vêm com a água. Agora, coloquei essas madeiras e obstáculos [pedras, latas de tinta] para ver se ajuda. E [também] não tiro os móveis e as roupas dos lugares altos da casa.

Sacos de terra Já o funileiro João Pedro dos Santos, o Paulinho – como é conhecido na área -, resolveu colocar sacos de terra às margens do córrego do S para impedir que a água e o lixo invadam o espaço que usa para estacionar os carros de seus clientes.

Ele ocupa uma pequena garagem nos fundos de um comércio, que está há cinco metros do morro do S. O funileiro se mudou para lá depois dos prejuízos que teve com as cheias do córrego do S e do córrego do Branco, também na região. Paulinho conta que, da última vez que sofreu com as enchentes, sua geladeira foi parar nos fundos da casa e os carros dos clientes ficaram cheios de barro.

– Sei que estou próximo do córrego e continuo correndo riscos. Mas lá onde estava, a água entrava toda vez. Já tive que ficar em cima de um carro para não morrer afogado. Esse equipamento aqui [usado para pintar os carros] pesa meia tonelada, mas com a força da chuva parecia até levinho. Quando a enxurrada vem, tudo parece pluma.

Fonte: R7



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