A Chegada Inusitada ao Corinthians
André Luiz, revelação do futebol e volante do Corinthians, tem uma história de origem que reflete a resiliência e a paixão pelo esporte. Sua trajetória começou em um pequeno campo de terra no Capão Redondo, localizado no extremo sul de São Paulo. Nesse cenário aparentemente comum, sua vida daria uma reviravolta inesperada.
O jovem atleta foi descoberto por um professor da escolinha de futebol Nosso Canto, situada em Embu das Artes. O caminho que o levou ao Corinthians se iniciou de uma forma curiosa: ele participou de um amistoso contra o time, que terminou com uma derrota acachapante de 20 a 1. Mesmo assim, André se destacou ao marcar um gol, chamando a atenção do treinador que buscava novos talentos.
“Eu me lembro que fiz um gol bonito naquele jogo. Depois disso, fui convidado para fazer uma avaliação no clube e, aos poucos, fui voltando”, relembra André, demonstrando que mesmo em situações adversas, uma oportunidade pode abrir portas.
Desafios da Base: Superando Dificuldades
A trajetória de André na base do Corinthians não foi marcada por facilidades. Ele já havia sido avaliado pelo clube no ano anterior, mas foi dispensado, um balde de água fria para qualquer jovem atleta. Contudo, determinação e persistência foram suas aliadas. Durante os primeiros anos nas categorias de base, o foco não era necessariamente por conquistas, mas por superação de desafios.
Morar no Capão Redondo implicava uma longa e árdua jornada até o Parque São Jorge, sede do Corinthians. O jovem não tinha permissão para ir sozinho a tantas distâncias, e sempre precisava de ajuda para se deslocar. “Redes de apoio foram essenciais. Muitas pessoas contribuíram para que eu pudesse treinar regularmente”, explica André, evidenciando a importância da comunidade em seu desenvolvimento.
Caminhos do Capão Redondo ao Parque São Jorge
O cotidiano de André era um constante teste de sua determinação. As manhãs e tardes eram preenchidas com treinos e estudos, muitas vezes sob a pressão de uma viagem desgastante. No entanto, a mudança da família para mais perto do Parque São Jorge representou um divisor de águas. Essa alteração não apenas facilitou os deslocamentos, mas também trouxe um novo ânimo para André.
Com mais tempo e menos dificuldades logísticas, o volante começou a desenvolver seu estilo de jogo e a ganhar confiança nas suas habilidades. Essa proximidade ainda proporcionou um brilho nos olhos do jovem, que já começava a sonhar em defender as cores do Corinthians profissionalmente.
A Lista de Dispensa e a Segunda Chance
As avaliações e convites para participar dos treinamentos estavam longe de significar tranquilidade. André chegou a estar em uma lista de dispensas durante seu tempo na categoria Sub-15. Ele partilhava dessa incerteza com outros jovens talentos, o que tornava a situação ainda mais crítica, pois não sabem se seriam os próximos a ser descartados. Foi nesse momento que o técnico Vinícius Marques entrou na história, oferecendo uma mão amiga ao convencê-lo a ficar.
“As palavras do Vini foram cruciais. Ele me incentivou a atuar no meio de campo, onde eu tinha mais facilidade. Ele viu algo em mim que eu não via”, relembra André, referindo-se ao papel decisivo do treinador em sua carreira. Esta situação acabou se tornando um verdadeiro marco na vida do atleta, possibilitando continuação em uma trajetória que muitos poderiam considerar fadada ao fracasso.
Momentos Difíceis no Sub-15
O caminho, no entanto, não foi sem pedras. André teve dificuldades no Sub-15 que poderiam ter arruinado sua confiança. As decepções geradas por um ambiente competitivo exigente o motivaram a buscar não apenas a superação, mas a adaptação ao seu estilo de jogo. Ele aprendeu que parte do sucesso envolve também os altos e baixos que um atleta enfrenta ao longo da carreira.
Virada no Sub-16: O Papel do Treinador
O momento decisivo voltou a se repetir na transição do Sub-15 para o Sub-16. Graças ao apoio e à confiança depositada por Vinícius Marques, André começou a buscar mais tempo em campo. Foram momentos de crescimento, onde ele finalmente começou a se sentir parte do clube ao qual desejou integrar desde criança.
“Nos treinos, ele me gave mais liberdade e mostrou uma visão que poucas pessoas tinham. Isso fez toda a diferença para mim. Consegui me destacar e, a partir de então, mantive uma regularidade”, afirma com um sorriso no rosto, evidenciando a transformação que obteve durante essa fase.
Promoção ao Sub-20: Um Novo Capítulo
Com o bom desempenho na base, André foi promovido para o Sub-20 em 2023. Essa era uma nova etapa em sua carreira. A assinatura de seu nome na lista da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2024 foi um grande passo. Infelizmente, ao longo dessa trajetória, ele sofreu uma lesão no joelho e acabou não atuando na competição. Contudo, ele não desistiu e, em 2025, André foi chamado para um treino no time profissional pelo técnico Dorival Júnior, que vislumbrava seu potencial.
A Estréia no Profissional e Seus Sentimentos
Em 24 de agosto de 2025, André foi relacionado pela primeira vez como membro da equipe principal do Corinthians. Ele ficou muito ansioso e extasiado com a oportunidade. “Estar no banco durante o jogo contra o Vasco foi um sonho realizado. A torcida faz toda a diferença, é algo que não se compara com a base”, contou.
Quando teve a chance de entrar em campo, substituindo o atacante Vitinho na partida contra o Fluminense, suas emoções foram à flor da pele. No estande, a torcida vibrava e ele sentiu que a pressão e as expectativas eram muito diferentes da sua experiência anterior.
O Primeiro Gol e a Emoção da Torcida
André ainda guarda viva na memória a sensação de marcar seu primeiro gol como jogador profissional. Em uma partida contra o Mirassol, em outubro de 2025, ele entrou no segundo tempo e selou a vitória por 3 a 0. “Foi um momento mágico. Enquanto corri para a torcida, só consegui agradecer a Deus. A energia era contagiante. Abracei todos que estavam ao meu redor”, relembra, emocionado.
Preparação para a Libertadores de 2026
André se prepara para enfrentar sua primeira Copa Libertadores em 2026. O sonho se torna realidade, pois ele se lembra claramente do título conquistado pelo Corinthians em 2012. “Eu só tinha seis anos, mas estava aos lados da minha família assistindo em uma televisão improvisada. A alegria era contagiante, principalmente quando viram os gols do Sheik. Mal posso esperar para estar em campo agora”, afirmou.
Para a competição, ele está focado e pronto para enfrentar o Platense, em uma estreia empolgante na Libertadores, no Estádio Ciudad de Vicente López. Sem dúvida, André representa a esperança e a paixão que alimentam o espírito corinthiano, mostrando que, apesar das dificuldades, o amor pelo futebol e pela camisa do Timão sempre vale a pena.
