{"id":291,"date":"2011-09-12T15:29:56","date_gmt":"2011-09-12T15:29:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontracapaoredondo.com.br\/noticias\/?p=291"},"modified":"2019-04-29T16:29:16","modified_gmt":"2019-04-29T19:29:16","slug":"capao-redondo-mobilidade-urbana-para-alem-da-copa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontracapaoredondo.com.br\/sobre\/capao-redondo-mobilidade-urbana-para-alem-da-copa\/","title":{"rendered":"Cap\u00e3o Redondo: Mobilidade urbana para al\u00e9m da Copa"},"content":{"rendered":"<div class=\"8fb9da09c1a584b185d8cf81e63b5046\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>O debate sobre os transportes  p\u00fablicos \u00e9 desalentador. Ao lado da esgotada op\u00e7\u00e3o pelo \u00f4nibus (na forma  de corredores), emergem &#8220;solu\u00e7\u00f5es&#8221; elitistas (bicicletas) e ut\u00f3picas  (restri\u00e7\u00e3o ao uso do autom\u00f3vel, ped\u00e1gio, carona, rod\u00edzio etc.).<\/p>\n<p>Bicicleta  \u00e9 bom para quem mora em Higien\u00f3polis (centro) e trabalha no Pacaembu  (zona oeste). N\u00e3o serve para a minha empregada, que mora no guia Cap\u00e3o  Redondo (zona sul) e trabalha no Butant\u00e3 (zona oeste). Usar autom\u00f3vel  n\u00e3o \u00e9 ato de vontade, mas falta de op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema remonta \u00e0  d\u00e9cada de 1950. A acelerada urbaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi acompanhada de a\u00e7\u00e3o  p\u00fablica. O setor nunca foi prioridade, e usu\u00e1rios sempre foram tratados  como gado. Em metr\u00f3poles europeias, o transporte coletivo prepondera  ante o individual. No universo dos meios coletivos, metr\u00f4 e trem  respondem pela maioria das viagens; o \u00f4nibus tem papel suplementar.<\/p>\n<p>Caracas  e Cidade do M\u00e9xico seguem esses par\u00e2metros. Aqui, ocorre o inverso.  Entre 1967 e 2007, a participa\u00e7\u00e3o dos meios coletivos declinou (de 68%  para 55%) em favor do autom\u00f3vel. No \u00e2mbito exclusivo das viagens  coletivas, em 2007, o \u00f4nibus respondia por 78% dos deslocamentos, ante  16% do metr\u00f4 e 6% do trem. Iniciamos tarde o investimento em transporte  p\u00fablico e n\u00e3o recuperamos o tempo perdido. Desde 1968, constru\u00edmos, em  m\u00e9dia, 1,7 km de metr\u00f4 ao ano. Na Cidade do M\u00e9xico e em Santiago, o  ritmo \u00e9 superior a 4,4 km e 2,6 km, respectivamente. Xangai constr\u00f3i 21  km\/ano desde 90. Aqui, as obras da linha amarela (de 12 km) j\u00e1 levam 16  anos.<\/p>\n<p>O indicador &#8220;popula\u00e7\u00e3o por  km de linha&#8221; evidencia a reduzida oferta. Em 2009, figur\u00e1vamos entre as  dez piores situa\u00e7\u00f5es globais (278 mil pessoas\/km), distantes da Cidade  do M\u00e9xico (94 mil) e de Santiago (55 mil) e da maioria das aglomera\u00e7\u00f5es  (entre 10 e 30 mil). Nosso metr\u00f4 \u00e9 um dos mais superlotados do mundo (27  mil passageiros por km de linha), taxa superior \u00e0s da Cidade do M\u00e9xico,  de Buenos Aires, de Santiago (entre 15 e 19mil) e da maior parte das  metr\u00f3poles mundiais (inferior a 10 mil).<\/p>\n<p>Com a privatiza\u00e7\u00e3o, o  metr\u00f4 tem de dar lucro. Nos \u00faltimos 20 anos, a tarifa subiu quase o  dobro da infla\u00e7\u00e3o. Em 2009, nossa tarifa (\u20ac 0,99) era semelhante \u00e0 de  Lisboa (\u20ac 1,05). Todavia, o lisboeta trabalhava 14 minutos para comprar  um Big Mac; o paulistano, 40. Cidades latinas possu\u00edam tarifas  inferiores: Santiago (\u20ac 0,72); Bogot\u00e1 (\u20ac 0,57); Buenos Aires (\u20ac 0,31) e  M\u00e9xico (\u20ac 0,18).<\/p>\n<p>N\u00e3o priorizamos a moderniza\u00e7\u00e3o dos 290 km da  CPTM, que demanda investimentos muito menores (pois evita  desapropria\u00e7\u00f5es e subterr\u00e2neos). Em 2007, o metr\u00f4 (60 km) transportou  2,2 milh\u00f5es de pessoas\/dia, enquanto a CPTM (290 km) se restringia a 800  mil. Essa disparidade \u00e9 explicada pela r\u00e1pida frequ\u00eancia do metr\u00f4.  Modernizar n\u00e3o \u00e9 comprar trem. O fundamental \u00e9 reduzir a frequ\u00eancia. H\u00e1  muito poder\u00edamos contar com 290 km adicionais de metr\u00f4. O governo  estadual \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela crise, seguido pelo munic\u00edpio,  que n\u00e3o investe no sistema. A Uni\u00e3o tamb\u00e9m foi omissa: em 1990, o tema  saiu da agenda, s\u00f3 retornando em 2007 (via PAC).<\/p>\n<p>Precisamos  elaborar uma pol\u00edtica nacional assentada na responsabilidade  compartilhada entre os entes federativos e ancorada em fontes de  financiamento sustentadas.<\/p>\n<p>O Brasil pode resolver essa quest\u00e3o no curto prazo. Estima-se que  meio ponto a mais na taxa de juros tenha um custo de R$ 15 bilh\u00f5es -o  suficiente para construir mais da metade da rede de metr\u00f4 paulistana.<\/p>\n<p>Transporte  p\u00fablico em metr\u00f3poles do porte das capitais brasileiras requer sistemas  de alta capacidade. Isso \u00e9 o que separa a civiliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie.  Transporte \u00e9 um direito do cidad\u00e3o, e n\u00e3o apenas do torcedor da Copa do  Mundo.<\/p>\n<p><em>Fonte: Portal Copa 2014<\/em><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre os transportes p\u00fablicos \u00e9 desalentador. Ao lado da esgotada op\u00e7\u00e3o pelo \u00f4nibus (na forma de corredores), emergem &#8220;solu\u00e7\u00f5es&#8221; elitistas (bicicletas) e ut\u00f3picas (restri\u00e7\u00e3o ao uso do autom\u00f3vel, ped\u00e1gio, carona, rod\u00edzio etc.). Bicicleta \u00e9 bom para quem mora em Higien\u00f3polis (centro) e trabalha no Pacaembu (zona oeste). N\u00e3o serve para a minha empregada, que mora no guia Cap\u00e3o Redondo (zona sul) e trabalha no Butant\u00e3 (zona oeste). Usar autom\u00f3vel n\u00e3o \u00e9 ato de vontade, mas falta de op\u00e7\u00e3o. O problema remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1950. 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